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Combater o Aedes evita que a febre amarela seja transmitida em área urbana

O combate a um velho conhecido do brasiliense é uma estratégia importante para se evitar a contaminação da febre amarela urbana. O Aedes aegypti pode transmitir a infecção. Por isso, sanitaristas alertam que é essencial extinguir focos do mosquito. Pelo menos quatro insetos são potenciais transmissores da infecção na área urbana.

 

Um estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Instituto Pasteur, na França, e o Instituto Evandro Chagas, no Pará, aponta para o potencial de reemergência de transmissão urbana de febre amarela no Brasil. 

 

O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942, no Acre. Todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão, ou seja, quando pessoas entram em áreas de mata e voltam para a cidade. 
 
Na pesquisa, publicada em julho de 2017,os cientistas concluíram que as espécies Aedes aegyptiAedes albopictusHaemagogus leucocelaenus e Sabethes albipirvus são potenciais transmissores do vírus da febre amarela. 
 
Atualmente, a transmissão da doença ocorre pela picada dos mosquitos Haemagogus ou Sabethes, que vivem predominantemente em áreas silvestres e de matas. Primeiro, eles picam um macaco doente e adquirem o vírus. Depois de alguns dias, eles já são capazes de transmitir a febre amarela a outros macacos ou humanos.   


Epidemia na África

 
Em laboratório, os pesquisadores mediram a eficiência de transmissão de mosquitos do Rio de Janeiro, Manaus, Goiânia e de Brazzaville, capital do Congo. Segundo o estudo, a eficiência para disseminar a doença pode variar devido à diversidade de de insetos e da combinação entre os mosquitos e as diferentes linhagens do vírus. 
 
A epidemia registrada em Angola, na África, em 2016, evidencia a ameaça. A partir de Angola, a doença chegou a países vizinhos, como a República Democrática do Congo e Uganda. A maioria dos casos sugerem a participação de vetores urbanos, especialmente o Aedes
aegypti
 
O mosquito Aedes albopictus, encontrado em matas, ambientes rurais, quintais e peridomicílios, também podem contribuir para a urbanização da febre amarela. Para os pesquisadores, estes mosquitos se reproduzem em áreas com maior cobertura vegetal e costumam picar animais silvestres e domésticos, além do homem.
 
O estudo é categórico: medidas de prevenção incluindo evitar o acúmulo de água parada em garrafas, pratos de plantas e outros objetos deixados em quintais, assim como realizar a manutenção de calhas, instalar telas em ralos nesses ambientes e manter caixas d’água e outros depósitos bem vedados.
 

O combate no DF 

 

Ao todo, 501 agentes ambientais vistoriam os domicílios do DF. Desde o ano passado, 1,4 milhão de casas foi visitadas. O diretor da Vigilância Ambiental, Denilson Magalhães, alerta para o alto índice de imóveis fechados ou que os moradores recusam a vistoria. “Esse índice no DF chega a 30%, quando o aceitável é de 10%”, pondera. 
 
Denilson explica que ao combater o Aedes, o risco da transmissão de doenças — inclusive a febre amarela. “Se hoje não estamos vivendo uma epidemia de dengue como em 2016, é por causa do trabalho de prevenção que passa por políticas públicas e cuidados dentro da nossa casa”, alerta.
 
O Brasil registrou 213 casos de febre amarela, sendo que 81 vieram a óbito, no período de 1º julho de 2017 a 30 de janeiro deste ano. No mesmo período do ano passado, foram confirmados 468 casos e 147 óbitos. No DF, 12 pessoas estão com a suspeita da doença, sendo que uma morreu.
 
A morte de macacos — 24 no DF e 35 em Goiás — alerta para a possível circulação do vírus. Por enquanto, o Ministério da Saúde descarta que o contágio da febre amarela esteja ocorrendo em áreas urbanas. 
 
Fonte: Correio Braziliense

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